Filogeografia, morfometria e sistema reprodutivo de Tapura amazonica(Dichapetalaceae) no Cerrado e Amazonia
Aluno - Estevão do Nascimento Fernandes de Souza
Orientador - Carolyn Elinore Barnes Proença
Universidade de Brasília

 

O Bioma Cerrado é o segundo maior do Brasil, perdendo apenas para a Amazonia, ocorrendo em 16 estados alem do Distrito Federal. Sua vegetação é dividida em tres grandes formações: florestais, savanicas e os campos. Dentro das formações florestais, encontram-se as Matas de Galeria, fitofisionomias de grande importância para o Cerrado, originadas provavelmente com as expansões e retrações de florestas umidas da America do Sul durante os periodos de glaciações, especialmente durante o Quaternário. Sua importância para o Bioma Cerrado esta na biodiversidade ali encontrada, compondo cerca de 33% das especies vegetais do Cerrado, alem de se encontrar espécies de outros biomas brasileiros, por exemplo a espécie Tapura amazonica Poepp& Endl, que também é encontrada na Amazonia.

A espécie T. amazonica pertence a família Dichapetalaceae, uma família com distribuição no Neotropical em ambos os hemisférios, com aproximadamente 240 espécies distribuídas em 3 gêneros, Dichapetalum, Stephanopodium e Tapura. Atualmente a família Dichapetalaceae se encontra pertencendo a ordem das Malpighiales, próxima de Trigoniaceae e Chrysobalanaceae.

A filogeografia é o o campo de estudos envolvidos com os princípios e os processos que governam a distribuição de linhagens genéticas especialmente dentro e entre as espécies. Tais estudos possibilitam deduzir a história e evolutiva e os processos que levaram a distribuição atual das espécies. Atualmente, são utilizados marcadores moleculares Mitocondriais para animais e de Cloroplastos para os vegetais. No Cerrado, o campo de estudos filogeograficos ainda é pequeno, sendo necessário o uso desta nova tecnologia como forma de se entender melhor seus processos de formação e distribuição das espécies. Além disso, estudos filogeográficos vem sendo usados como uma maneira de investigar a forma com que as mudanças climáticas e geográficas do passado modificaram a estrutura genética de plantas e animais, contribuindo dessa forma para se criar inferências de como as espécies evoluíram dentro de um bioma e possibilitando a criação de estratégias de conservação.

As coletas de material de Tapura amazonica, ocorrerão em localidades que representem a area de distribuição da espécie , partindo do município de Cristalina-GO até o estado do Tocantins (Figura 2), e coletas na Amazonia (Reserva Duke) . Pretende-se amostrar 15 populações, esperando-se coletar folhas de 6 a 10 indivíduos. O material coletado será depositado no herbário da Universidade de Brasília (UB)

Serão coletadas folhas totalmente expandidas aleatoriamente em árvores de Tapura amazonica que serão armazenadas em silica gel em sacos plasticos até a extração do DNA. O DNA será extraido seguindo o protocolo proposto por Doyle&Doyle (1987). Serão feitas coletas de material testemunha para registro em herbário.

Serão amplificadas por PCR fragmentos de cpDNA correspondentes as regiões pbsA e matK. Com as sequencias obtidas serão conduzidas análises de diversidade nucleotidica entre e dentro das populações, contruções de árvores filogenéticas e rede de haplótipos. A relação entre os haplótipos obtidos na amostragem das populações será analisada a partir da construção de uma rede de haplótipos, baseadas no método de median-joining. Esse método permite averificação entre a distribuição geográfica e as relações filogenéticas entre esses haplótipos obtidos, baseados no critério da parsimônia.

Para o estudo morfométrico foliar serão coletados apenas ramos estéreis cuidando-se para não se coletar ramos que tenham folhas atacadas por alguma enfermidade, ou que estejam predadas, o que prejudicaria ou inviabilizaria a análise morfométrica. As coletas seguirão um padrão previamente estabelecido levando-se em conta a ordem dos nós e dos ramos nos quais estão localizados. Além disso, será considerada a posição dos ramos coletados na árvore, tomando-se cuidado para coletar sempre em regiões sombreadas ou com sol, e sempre em uma altura semelhante na planta. Para isso, pode ser necessário o uso de um podão de vara.

Após a herborização das folhas serão feitas as análises morfométricas. As folhas serão classificadas em ordem de grandeza definidas por Leaf Architecture Working Group que classificam artificialmente de forma a determinar um intervalo de área foliar. A área foliar será determinada com uso de programa específico. Serão tomadas medidas de comprimento, largura e razão foliar e as folhas serão classificadas de acordo com o ápice e a base. Estas análises podem indicar padrões morfológicos e discriminação de populações em função de dados foliares.

Espera-se com os resultados obtidos em análises filogeograficas, obter um mapeamento genético das populações estudadas, servindo de base para um possível programa de conservação. Além disso, as análises filogeográficas possibilitariam também uma tentativa de se descobrir como se formaram as matas de galeria, e como esse tipo vegetacional entrou, se espalhou e se manteve no Cerrado.

Com os estudos morfométricos, espera-se obter resultados que mostrem uma possivel distinção entre as populações, a partir de caracteristicas, como tamanho de folhas, peciolo, formato, ect. Todos esses estudos tem como base verificar como a estrutura das populações pode influenciar nos locais para programas de conservação.