Biodiversidade e bioprospecção de leveduras e fungos filamentosos endofíticos em plantas do Cerrado
Aluno - Eugenio Miranda Sperandio
Orientador - Helson Mario Martins do Vale
Universidade de Brasília

 

O Cerrado é a maior região de savana em um único país. Superando apenas pela Floresta Amazônica, é o segundo bioma Sul-Americano, abrangendo 23% do território nacional com 12 estados e o Distrito Federal. Sua flora corresponde a mais de 12% de toda biota vegetal brasileira (Ribeiro & Walter, 1998). Apenas a terça parte do Cerrado permanece a salvo das alterações de origem antrópica. Esse bioma é uma das áreas menos estudadas e mais ameaçadas do mundo sendo um dos grandes desafios a conservação do Cerrado, provando a importância que a biodiversidade deste desempenha no funcionamento dos ecossistemas, contudo, o conhecimento dos fungos a ele associados é escasso. Muitos destes organismos estão sendo extintos antes mesmo de se tornarem conhecidos. A diversidade microbiana incluindo os microfungos não tem recebido a devida atenção por parte dos países neotropicais, apesar das nações desenvolvidas alertarem para o potencial biotecnológico destes microrganismos (Dianese, 2000).

O desafio no controle de doenças aumenta cada vez mais com a demanda por produtos livres de resíduos tóxicos e pela percepção do público em geral sobre o impacto das práticas que são utilizadas no controle de doenças, como o uso de agrotóxicos, sobre a saúde dos seres humanos e sobre o meio ambiente (Gullino e Kuijpers, 1994).

Leveduras são fungos unicelulares que crescem vegetativamente por brotamento ou fissão binária e seu estado sexual não produz corpos de frutificação. São predominantemente saprófitas, algumas podendo ser parasitas de plantas e animais. Possuindo grande capacidade de assimilar uma gama variada de substratos orgânicos, sendo historicamente usadas pelo homem em processos fermentativos na produção de alimentos, as leveduras constituem uma importante fonte biotecnológica a ser explorada (Piskur et al., 2006).

O combate a doenças de plantas é dependente de agrotóxicos que são hoje o modo mais eficaz de controle de doenças, mas podem apresentar conseqüências indesejáveis. Os defensivos agrícolas são apontados como substâncias altamente prejudiciais a saúde, que se acumulam no organismo, causando várias doenças. A utilização de microrganismos antagônicos pode na pós-colheita pode interromper algum estágio do ciclo de vida do fitopatógeno ou da doença. Isso pode ocorrer através de parasitismo, competição por nutrientes e espaço, produção de enzimas hidrolíticas, compostos antibióticos voláteis e não voláteis (Vinale et al., 2006). O uso de leveduras no controle de doenças de pós-colheita se deve ao fato de que esses microrganismos serem os maiores componentes da comunidade microbiana na superfície de folhas, frutos e vegetais. Elas são fenotipicamente mais adaptadas a esses nichos e são hábeis na colonização e competição por espaço e nutrientes, tornando-se assim potenciais agentes de biocontrole (Filonow, 1998).

Este trabalho tem como objetivos isolar, identificar leveduras associadas a folhas e frutos de plantas do Cerrado do Distrito Federal, utilizando-as como instrumento de biocontrole em doenças de pós-colheita em frutos de morango.