Subtribo Myrciineae O. Berg (Myrtaceae) do Distrito Federal, Brasil.

 

Aluno - Kadja Milena Gomes Bezerra

Orientador - Lacê Medeiros Breyer

Universidade de Brasília

 

A composição da ordem Myrtales tem sido alterada no decorrer das últimas três décadas por diversos estudiosos, levando em consideração estudos anatômicos, histoquímicos, morfológicos e moleculares, dentre outros. No decorrer de muitos anos muitos estudiosos sugeriram uma nova ordenação baseada em análises moleculares e anatômicas, de forma que Myrtales abrange 15 famílias: Myrtaceae, Onagraceae, Trapaceae, Lythraceae, Oliniaceae, Combretaceae, Alzateaceae, Rhynchocalycaceae, Penaeaceae, Crypteroniaceae, Melastomataceae, Memecylaceae, Psiloxilaceae, Heteropyxidaceae, e incluindo Vochysiaceae pela primeira vez neste táxon. Atualmente no Brasil, é registrada a ocorrência de 9 destas famílias, sendo Myrtaceae uma das mais representativas de plantas lenhosas, evidenciado em diversos estudos florísticos/fitossociológicos. As características anatômicas utilizadas para o agrupamento dos representantes de Myrtales são: pontoações areoladas nos elementos de vaso do xilema secundário, e feixes vasculares formados por xilema envolvido interna externamente por floema. As relações filogenéticas entre a família Myrtaceae e as demais de Myrtales não são conclusivas ao considerarmos apenas caracteres morfológicos e anatômicos. Dentro da ordem Myrtales, Vochysiaceae, Combretaceae, Melastomataceae, Alzateaceae, Penaeaceae e Myrtaceae compartilham a ocorrência de ritidoma escamoso e de esclereídes traqueoidais com espessamento de parede espiralado, associadas às terminações vasculares. Não existem dúvidas sobre a delimitação da família Myrtaceae, que comporta 132 gêneros e entre 3.800 e 5.671 espécies, porém as relações infrafamiliais tem sido foco de extensa discussão entre os estudiosos. Wilson et al. (2005) propuseram uma nova organização para a família com a aceitação de duas subfamílias (Myrtoideae e Psiloxyloideae). Esta última incluindo apenas as tribos monogenéricas Heteropyxideae e Psiloxyleae. Myrtoideae, segundo tais autores abriga as demais 15 tribos ( Backhousieae, Chamelaucieae, Eucalypteae, Kanieae, Leptospermeae, Lindsayomyrteae, Lophostemoneae, Melaleuceae, Metrosidereae, Myrteae, Osbornieae, Psiloxyleae, Syncarpieae, Syzygieae, Tristanieae e anthostemoneae).

As Myrtaceae brasileiras estão incluídas em Myrteae, tribo esta que inclui todas as espécies sul-americanas, com exceção de Tepualia stipilaris Griseb. Ocorrente no Chile e que não pertence à tribo. Myrtaceae é considerada uma das famílias mais importantes nas comunidades neotropicais 7), além de ser uma das famílias mais representativas na vegetação brasileira (Landrum & Kawasaki 1997). A circunscrição da subtribo Myrciinae, alvo do presente estudo, até a publicação dos trabalhos de Lucas et al. (2005) era composta pelos gêneros: Myrcia DC., Gomidesia Berg, MarliereaCambess., Calyptranthes Sw. e Myrceugenia Berg. Estes mesmos autores defendem a retirada de Myrceugenia desta subtribo, baseados em dados filogenéticos, ficando a subtribo Myrciinae sensu stricto composta pelos demais quatro gêneros. Os resultados ainda não são considerados conclusivos e diversos estudos ainda estão em desenvolvimento.

Os gêneros inclusos em Myrciinae sensu stricto e objeto deste estudo, caracteriza-se por apresentar embrião mircióide, eixo hipocótilo-radícula bem desenvolvido e cotilédones verdes e foliáceos, plicados, descontínuos, grandes, dobrados um sobre o outro, em torno do eixo hipocótilo-radícula. Embora as Myrtaceae se destaquem como uma das famílias mais importantes e diversificadas, nos ecossistemas brasileiros, as folhas de seus representantes tem sido pouco estudadas sob o ponto de vista morfoanatômico.

O Cerrado brasileiro, Myrtaceae é representada por 344 espécies distribuídas em 18 gêneros (Mendonça et al. 2008) e para o Distrito Federal foram citados 14 gêneros e 101 espécies em uma listagem preliminar para a Flora do DF (Proença et al. 2001). Para a Floresta Atlântica são listadas 636 espécies e 19 gêneros (Stehman et al. 2009).

O trabalho proposto de análise das espécies de Myrciinae dos herbários localizados no Distrito Federal: CEN (EMBRAPA/CENARGEN), HEPH (Herbário Ezechias Paulo Heringer), IBGE (Reserva Ecológica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e UB (Universidade de Brasília), aliado as coletas em áreas de preservação visa aprimorar o nível de conhecimento atual sobre táxon em apreço, tendo em vista as dúvidas ainda existentes quanto às suas relaçõesinfrafamiliais. O presente estudo visa contribuir para o melhor conhecimento da fitodiversidade no Distrito Federal. E tem como objetivos estudar e descrever morfologicamente todas as espécies da subtribo Myrciinae, exceto Myrcia sect.. Myrcia do Distrito Federal, além de, descrever a estrutura foliar externa e interna das espécies da subtribo Myrciinae Distrito Federal.