Projeto Fogo - Efeitos do regime de fogo sobre a estrutura de uma comunidade de cerrado
Coordenadora - Heloísa Sinátora Miranda 
Universidade de Brasília


Visando obter subsídios científicos para avaliar técnicas de manejo que possam ser apropriadas para a vegetação do Cerrado (reduzindo danos e riscos de queimadas intensas e destruidoras) e determinar os efeitos de diferentes regimes de queima (frequência, intensidade e época de ocorrência) sobre a estrutura e dinâmica da vegetação e fauna do cerrado, pesquisadores do IBGE, IBAMA, UnB, EMPRABA Cerrados, do Instituto Nacional de Pesquisas Espacias, Usp, do Jardim Botânico de Brasília, do Serviço Florestal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, da Agência Espacial Americana e de várias Universidades estrangeiras vem desenvolvendo projetos para:

a) Conhecer a estrutra da vegetação e fauna de áreas de cerrado com histórico de queima constantes

b) Conhecer o histórico e aspectos culturais do uso do fogo do cerrado

c) Conhecer o comportamento do fogo (temperatura do ar e do solo durante queimadas, velocidade de propagação e intensidade da frente do fogo, calor liberado durante queimadas)

d) Conhecer as estratégias de escape da fauna e da flora

e) Conhecer os padrões e modelos de regenação e sucessão que ocorrem no cerrado devido a diferentes regimes de queima.

Em 1989 teve início, na Reserva Ecológica do IBGE, o projeto Efeitos do Regime de Fogo sobre estrutura de uma comunidade de cerrado, mais conhecido como Projeto Fogo. A área utilizada no projeto foi inicialmente selecionada em função de sua homogeneidade topográfica e edáfica (baixa declividade e tipologia edáfica de latossolo, predominante no bioma Cerrado), por possuir um gradiente de vegetação com as fisionomias predominantes do cerrado, isto é, cerradão, cerrado sensu stricto e campo sujo, e por estar protegida do fogo por 18 anos. Na área experimental destinada ao projeto (cerca de 10% da área da RECOR) foram estabelecidos três blocos de 50 há, sendo cada bloco referente a uma forma fisionômica da vegetação do Cerrado. Cada bloco foi dividido em cinco quadras de 200m X500m que recebem um tipo de tratamento experimental para simular deferentes épocas e freqüências de ocorrência de queimadas no Cerrado e seus efeitos sobre a vegetação e a fauna. Os tratamentos são:

a) Sem queima - (controle) é o regime proposto nos planos de manejo dos Parques Nacionais do Cerrado; propiciaria a sucessão da vegetação do cerrado em direção ao cerradão (atualmente com 26 anos sem queima),

b) Queima bienal precoce - (início da estação seca - final de junho) é um regime alternativo para eliminar o excesso de combustível evitando grandes incêndios acidentais, propiciando o controle de capins invasores e a disponibilidade de alimento para a fauna durante a seca,

c) Queima bienal modal - (auge da seca - início de agosto) é o regime de queima dominante nos cerrados.

d) Queima bienal tardia - (início das chuvas - final de setembro) é provavelmente o regime de queima que causa maior impacto, devido ao padrão fenológico da vegetação que apresenta pico de renovação das copas e reprodução durante a primavera.

e) Queima quadrienal modal - (auge da seca - início de agosto) o recrutamento de árvores seria favorecido.