Hidrografia

 

A rede hidrográfica da RECOR é formada por 5 cursos d’água que nela têm nascente, formando a Bacia do Córrego Taquara.

 

O Córrego Taquara é afluente pela margem direita do Ribeirão do Gama, um dos principais tributários do Lago Paranoá, que fica na cidade de Brasília. Percorre cerca de 7.125 m em direção NO/SE, apresentando ligeiras sinuosidades ao longo de seu curso. Suas nascentes localizam-se no limite SO da RECOR com a Fazenda Água Limpa da UnB e o nível do lençol freático na área apresenta-se bastante elevado, deixando constantemente úmida a vertente, até mesmo na época da seca.

 

Poucos metros após a definição do canal do Córrego Taquara, o excesso de umidade local, associado a maior declividade da encosta e à natureza das formações superficiais, facilitaram o desbarrancamento da margem esquerda e abatimento do solo, provocando a queda de muitas árvores e inclinação de outras, com exposição de raízes. A ação dos processos erosivos deu-se de maneira escalonada em três níveis: o primeiro com um desnível de cerca de 2m para o segundo; esse, por sua vez, com aproximadamente 4m de desnível para o terceiro que se posiciona a 1m acima da planície. Em decorrência dessa ação morfodinâmica é grande o acúmulo de troncos e folhiços no canal, causando obstáculos ao escoamento. Esse fato condiciona a deposição de parte da carga do leito, notadamente do material mais grosseiro.

Localmente a gradativa acumulação dos resíduos atingiu proporções instransponíveis para o fluxo d’água fazendo com que a corrente, na tentativa de prosseguir seu curso e transpor obstáculos, desenvolvesse um processo de erosão remontante, facilitada pela menor resistência do material do leito.

 

A menos de 1 Km das cabeceiras, o Córrego Taquara tem seu leito bem encaixado na própria planície. Apresenta significativos volumes e velocidade d’água em relação a sua largura, por volta de apenas 80cm. A reduzida dimensão entre as margens concorre para o entrelaçamento de raízes no leito formando pequenos rápidos e corredeiras. Isso caracteriza seu fluxo como turbulento, com movimentos caóticos e heterogêneos. Seu leito é constituído de material predominantemente argiloso, de cor clara, contrastando com material escuro de origem orgânica e com alto teor de acidez que constitui a planície. Nos períodos de cheia, as águas sobem aproximadamente 1,50m, inundando a várzea.

 

O alto curso recebe apenas um contribuinte, pela margem esquerda, denominado Sem Nome, cujas cabeceiras localizam-se numa vereda mantida evidentemente pela mesma fonte de alimentação subterrânea.

 

No seu médio curso, o Córrego Taquara apresenta basicamente as mesmas características e recebe apenas dois afluentes: o córrego da Onça e o córrego do Roncador.

O córrego do Roncador é o mais importante tributário do Córrego Taquara, posicionado em sua margem direita, com cerca de 3.625m de comprimento orientados no sentido NO/SE, com ligeiras sinuosidades, profundidade e largura média de 78cm e 3,50m, respectivamente. Suas nascentes localizam-se nas proximidades do limite da RECOR com a Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília, cerca de 700m da BR 251. O elevado nível do lençol freático ocasiona o surgimento de três olhos d’água que vertem em caráter permanente, sobre superfície com declividade fraca, recoberta por cerrado.

 

A área da cabeceira encontra-se bastante descaracterizada pelo antropismo, em função de seu uso anterior e da canalização de duas das nascentes para um lago artificial e um chafariz. A saída das águas do lago coincide com o início da Floresta de Galeria, vegetação que acompanha todo o seu curso. Sob esta, as águas encontram-se anastomosadas, entremeando pequenas ilhas alagadas.

 

Aproximadamente 200m a jusante das cabeceiras, o canal do Roncador é bem definido e encaixado entre vertentes assimétricas. Esse encaixamento permanece até o baixo curso quando seu vale se torna mais amplo.

 

 

No alto curso, o córrego do Roncador apresenta duas quebras no perfil longitudinal, originadas pela ocorrência de soleiras na canga do leito. Na primeira, com 1,50m de desnível, as concreções ferruginosas ocorrem em camadas nas margens e em blocos individualizados na parte inferior do leito. Esses blocos limitam uma depressão circular com cerca de 1,60m de diâmetro e 70 cm de profundidade, gerada pelo processo erosivo da atuação turbilhonar da água no fundo do leito. A saída da água desse ponto é feita por uma abertura entre as concreções, esculpida pela ação erosiva da corrente ao se adaptar a outro nível de base local.

A segunda quebra no perfil ocorre cerca de 40 m abaixo da primeira. Tem por volta de 2 m de desnível e apresenta as mesmas características daquela. A presença de soleira de canga no leito comanda a erosão e adaptação da corrente em um terceiro nível de base local, numa pequena extensão.

A saída do fluxo d’água da parte inferior da cachoeira é feita sobre leito rochoso, em minúsculos degraus, formando pequenos rápidos.

 

No local denominado Ponte do Corujão, o córrego Roncador forma sinuosidades e a largura de seu canal varia de 1,20m a 3,00m. No leito afloram, blocos rochosos, oferecendo maior resistência à erosão vertical e facilitando a lateral. Este fato condiciona a profundidade em apenas 20cm sobre os afloramentos rochosos que se contrapõem à de aproximadamente 1m sobre o material argilo-arenoso.

 

A jusante da Ponte do Corujão, a margem direita encontra-se em posição mais elevada que a planície de decantação deveria estar em posição altimetricamente inferior. A barranca é constituída de material coluvial misturado com folhiços decompostos e parcialmente decompostos, seccionado pelo vale.

 

O córrego Roncador não recebe contribuintes pela margem esquerda. Pela direita recebe três: Pitoco, Monjolo e Escondido. Esses tributários ostentam direção geral SO/NE orientados por fatores estruturais. Exceção se faz para o córrego Monjolo que no médio curso muda de direção para NO/SE voltando, após pequeno percurso, à direção anterior. Nessa mudança de direção aproxima-se do córrego Pitoco o suficiente para haver uma interpenetração das Florestas de Galeria que recobrem suas respectivas planícies. Apresentam características similares que indicam um contexto morfoestrutural idêntico na implantação de suas drenagens. Dispõem-se paralelamente entre si e perpendicularmente à calha do Roncador. Apresentam constância na abertura dos ângulos de junção que giram em torno de 90º. Descrevem percursos predominantemente retilíneos impostos por fraturas.

 

Os córregos Pitoco, Monjolo e Escondido apresentam vales em forma de U, limitados por encostas com declividade moderada e, localmente, acentuada. As calhas se encaixam nas próprias planícies constituídas de depósitos aluvionares, com alto teor de matéria orgânica. A ocupação destas áreas de acumulação por vegetação densa faz com que raízes e folhiços se acumulem nos leitos, criando obstáculos ao fluxo d’água e gerando turbulência.

 

Aspectos característicos como pseudo-sumidouro e pseudo-ressurgência ocorrem no Monjolo, e no Pitoco. No Monjolo o espaço compreendido entre o desaparecimento e o reaparecimento da corrente fluvial apresenta calha preenchida por matéria orgânica, com ruptura de declive de cerca de 1m, a partir de onde se estreita e se encaixa bruscamente. A origem desse degrau encontra-se totalmente mascarada devido ao grande acúmulo de resíduos vegetais no local.

Os afluentes do Roncador assemelham-se também quanto ao material, predominantemente argiloso e localmente argiloso-arenoso de cor clara. Eventualmente, encontram-se fragmentos grosseiros provenientes da desagregação mecânica das cangas que afloram nas encostas. As águas apresentam um alto nível de transparência, denotando um baixo volume de carga transportada em suspensão. Apenas no período das chuvas, quando o aumento do débito conduz a ocupação do leito maior, verifica-se um aumento no volume dos sedimentos transportados turvando levemente as águas.

 

A foz do Roncador com o Córrego Taquara está próximo à foz do córrego da Onça, porém em posição oposta. A proximidade dessas desembocaduras, associada à topografia local, facilitou a formação de uma ampla planície de inundação. A jusante da foz do córrego Roncador, a planície do Taquara apresenta sinais de retomada erosiva. Após o alagamento, as águas, ao abaixarem de nível, escoam retirando o material orgânico decomposto e parcialmente decomposto entre as árvores, exumando raízes e formando canaletas. Este fato se repete mais abaixo onde, localmente, a retomada de erosão formou uma descontinuidade no piso da planície.

 

FONTE: LIMA, Maria das Graças C. F. 1995.Hidrografia. p. 165-181. In: Zoneamento Ambiental da Bacia do Córrego Taquara - DF. Vol II, Goiânia,. MPO/FIBGE. Diretoria de Geociências do Centro-Oeste – DIGEO/GO.